

Uma oração
Deus de todas as coisas,
Deus onipotente, onipresente,
sem passado, sem futuro
e sem presente,
guia- me para além desse escuro muro
que obstrui toda a minha visão,
mostra- me o que não posso ver,
conduz- me o coração!
Sobrou- me tão pouco agora
que já não creio- me,
não posso encontrar um caminho seguro
pra seguir.
Agora, vejo o que é viver
e não achei que só o amor
fosse me fazer ver que:
cada dia é uma escolha
e os caminhos a seguir
são cartas de baralho sobre a mesa.
Cada escolha feita é como se dissesse
ganhe ou perca.
Será que basta entregar
a vida em tuas mãos, meu Deus,
ou devo lutar mesmo que em vão?!
Onde mora a verdadeira felicidade,
em viver tudo que se pode em um dia
ou em ir raciocinando no caminho,
contornando obstaculos, perdendo oportunidades
e vivendo em paz?
Estou chegando, tardiamente,aquela época
em que a vida deixa de ser um jardim florido
e se torna uma selva de perigos;
eu não desejo predar nem ser predada,
desejo, somente, amar e viver,
acreditar num bem que jamais irá morrer.
Senhor Deus, toma- me pela mão,
conduz- me num belo caminho,
proporciona- me receber
e fazer o bem.
Neste momento, dai- me a calma
para aceitar as consequências
de cada ato praticado,
pois só assim conhecerei a vida.
Sim, meu Deus,
faça sábio meu coração
para que eu possa caminhar
por florestas de amor e dor
sem vacilar,
neste mundo onde a razão
jamais penetrará.
Sim, meu Deus,
dai- me a calma, a coragem, a razão,
o amor e a paz,
Amém.

Quando o meu amor vier...
Quando meu amor vier
quero que se faça primavera
em pleno inverno
e que a flor surja no deserto
para que a vida sobrepuje a morte
e o sol não morra ao meio- dia.
Quero que as noites sejam feitas de luz
e o dia, com pássaros de mil cores
arrebente em plena meia- noite.
Quando meu amor vier
quero chuva na vidraça,
quero uma música com acordes de cristal,
quero jardins molhados de orvalho,
trançados, lentamente, com malhas prateadas
e quero caminhar entre as árvores seculares,
que filtram o sol da tarde.
Quando meu amor vier
não temerei a morte,
andarei nua pelas ruas,
rindo alto nas encostas verdejantes
e enfrentarei a peste que se esconde nas sombras
e o fogo que se alastra nas areias.

A esperança
Olhe bem ao redor,
veja as flores nos campos
e os pássaros a cantar nas árvores.
Olhe e veja a natureza,
essa aquarela de cores,
e veja se pode compreender o que sentes.
Olhe os raios de sol
a tocar docemente a relva,
comunicando calor à Terra.
Olhe para os animais em seu cio
e para o filhote que nasce,
guarde bem a explosão de vida numa cavalgada selvagem.
Olhe o vai e vem das Eras,
o ciclo da Terra
e as estrelas no Céu.
O mundo estremece de energia,
os homens vibram de emoção,
dentro, a Terra pulsa de paixão.
Enquanto houver sol e lua,
no fogo energia pura,
a centelha perdura.
A vida, ainda que dura,
é a única esperança do amanhã,
enquanto há vida a esperança fulgura.
Lamento do oficial por seu cavalo morto- Cecília Meireles
Nós merecemos a morte,
porque somos humanos
e a guerra é feita pelas nossas mãos,
pela nossa cabeça embrulhada em séculos de sombra,
por nosso sangue estranho e instável, pelas ordens
que trazemos por dentro, e ficam sem explicação.
Criamos o fogo, a velocidade, a nova alquimia,
os cálculos do gesto,
embora sabendo que somos irmãos.
Temos até os átomos por cúmplices, e que pecados
de ciência, pelo mar, pelas nuvens, nos astros!
Que delírio sem Deus, nossa imaginação!
E aqui morreste!Oh, tua morte é a minha, que, enganada,
recebes. Não te queixas. Não pensas. Não sabes. Indigno,
ver parar, pelo meu, teu inofensivo coração.
Animal encantado- melhor que todos nós!- que tinhas tu
com este mundo dos homens?
Aprendias a vida, plácida e pura, e entrelaçada
em carne e sonho, que os teus olhos decifravam...
Rei das planícies verdes, com rios tremulos de relinchos
como vieste morrer por um que mata seus irmãos!
Reflexões perante o mundo
Somos meros expectadores
do mundo
e da ignorância dos homens,
da fugacidade do tempo
e da morte dos sonhos.
assistimos a destruição dos horizontes
e à guerras inúteis;
a civilizada ganância
dizimando "selvagens".
E quantas inocentes crianças
se perdem no mundo
buscando um abrigo profundo,
enquanto, a nós, só resta
olhar e sofrer.
Quantos corações partidos
por palavras imundas,
quanta fé
perdida nas brumas.
Quantos sofrem, depois morrem,
vítimas de doenças cruéis,
implacáveis, que não escolhem ricos ou pobres,
e, a nós, só resta chorar e tremer.
Quantos, realmente, sabem
da pedra preciosa
encerrada nos corações valorosos
e da importância de se fazer o bem?
Quem, realmente, se sente
responsável pela alegria dos outros;
quem, realmente, é amado
e sabe corresponder,
quem jamais precisou sofrer?
É duro carregar o peso de viver
e assistir a tudo com olhos de pedra,
buscar esperanças, às vezes fingir,
para em frente seguir.
Le temp!!!!!!!!!!!!!!!!!!
É preciso- Tradução
A vida é a escola
e o tempo é um bom professor.
Nós devemos fazer da vida
poema, canção, cor e alegria.
Nós devemos amar a vida
e compreender o tempo
para viver, eternamente,
nas primaveras.
Ver o céu,
ver as estrelas na noite,
é surpreendente ver a vida
como um beijo de amor.
E o vento correndo
entre as árvores
é muito belo.
Preste atenção, ele murmura
os segredos da vida.
Para viver a vida
é preciso ser livre,
ser inocente em face do amor.
É preciso crer na magia,
fazer o bem
e louvar o nascimento e a morte.
É preciso ser o que se é!
Il faut
La vie est l' ecole
et le temps est un bonne professeur.
Nous devons faire de la vie
poeme, chanson, couleur et heur.
Nous devons aimer la vie
et comprendre le temps
pour vivre, eternellemente,
dans le printemps.
Voir le ciel,
voir les etoiles dans la nuit,
c' est etonnant voir la vie
comment un bisou d' amour.
Et le vent en train de corrir
parmi les arbres
est trés beau.
Faire attention, il murmure
les secrets de la vie.
Pour vivre la vie
il faut être libre,
être innocent em face d' amour.
Il faut croire dans la magie,
faire le bien
et louer le naissance et le mort.
il faut être le que se est!
Noite
Na noite ando perdida em meus sonhos
e o silêncio retumbante da noite
atiça meu corpo,
a adrenalina gira em meu sono.
As flores brancas, damas da noite,
me comunicam cheiros de fugas,
perseguições, belos horrores.
O pio das corujas me contam segredos
e o grito dos gaviões em desepero
me mostra que há seres misteriosos à solta
pelos bosques, pelas ruas.
Lá fora, eu sei, andam belezas mórbidas,
fatais e femininas.
Lá fora anda sangue e desejo,
andam Homens e serpentes,
anda o medo.
Na noite há beleza, magia,
há brilho, maravilha!
Na noite há sons cheios de solidão,
há amor.
A noite me fascina!
Acho que suas fotos tem me inspirado, Zina! Espero tá pegando o jeito!
Feliz Páscoa e que as boas novas possam iluminar como este Sol!!!!
A flecha e a águia
Olha, é só o que te pergunto,
olha, será que tens abrigo para uma alma amargurada?
Será que tens sepultura para o guerreiro
e anteparo para a flecha do arqueiro?
Olha, é só o que te peço,
olha a águia ferida riscando o céu,
a curva abrupta, descendente, displicente,
a águia que morre no vazio, somente.
Olha, é só o que procuro,
olha, agora quem lutou só quer descanço,
a águia ferida, a flecha cravada, a dor lancinante só querem paz,
agora, meu coração só quer você, pouso do guerreiro, agora, descansar em paz.
Olha, não fuja não
que o arco retesado, mesmo sem saber,
era você,
olha, não fuja não que a águia estava em mim.
Olha, é só o que escuto,
no abismo um grito,
faz ele parar;
olha, é só o que vejo,
a águia ferida,
faz ela voar!
Se amasse- me...
Ah, se amasse- me, tu,
como amam- se os cães
que deitam- se juntos à sombra das árvores,
possessivos e dóceis,
fazendo juras de amor silenciosas
com os olhos e com as almas.
Ah, esperasse- me, tu,
como esperam os cães
sentados imperturbáveis junto aos portões,
todos olhos e corações,
amantes injustiçados
resistindo bravamente às separações.
Ah, desejasse- me, tu,
como desejam-se os gatos
que com carícias veladas
seduzem suas amadas
e, depois, possessivos e violentos,
mordem- lhes o pescoço
possuindo- as com desejo.
Ah, amasse- me, tu,
como amam- se os animais,
carícias, mordidas,
gemidos e doçura,
malícia, masculinidade
e arrebatação.


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BRASIL, Sudeste, SAO MANUEL, Mulher, de 15 a 19 anos, Portuguese, French, Arte e cultura, Música